Dedé afirma que atletas podem sim evoluir treinando no Brasil

A conturbada saída de Cláudia Gadelha da Nova União, há pouco mais de um ano, sempre foi assunto que o líder da equipe, Dedé Pederneiras, evitou. Na semana passada, o treinador conversou por cerca de uma hora com a equipe do Combate.com e, desta vez, abriu o jogo sobre a situação com a ex-atleta de sua academia. Ao analisar a derrota que a atual número 2 do peso-palha (até 52kg) do Ultimate sofreu para Jéssica Andrade no dia 22 de setembro, no UFC Japão, o técnico enalteceu a equipe PRVT, de Bate-Estaca, e declarou que foi a prova de que é possível evoluir no MMA se preparando no Brasil.

Dedé Pederneiras comentou situação com Cláudia Gadelha após mais de um ano do rompimento (Foto: Adriano Albuquerque)

Dedé Pederneiras comentou situação com Cláudia Gadelha após mais de um ano do rompimento (Foto: Adriano Albuquerque)

A reportagem também o questionou sobre declarações de Gadelha após a vitória sobre Karolina Kowalkiewicz, em junho, no UFC Rio, quando a brasileira já treinava nos Estados Unidos e fez algumas críticas ao método utilizado em sua preparação quando enfrentou Joanna Jedrzejczyk pelo cinturão e saiu derrotada.

– Acho que, a partir do momento que a pessoa saiu da equipe, não faz mais diferença o que a pessoa fala. Se ela estivesse dentro da equipe e falasse isso, eu ia ficar muito danado. Acho que cada um tem uma opinião. Você pode gostar de chocolate, e eu não. Você pode gostar de um tipo de treinamento ou de outro. Às vezes, tenho um tipo de treinamento que é horrível, mas um monte de gente gosta e rende. Aí você vai para uma equipe que ninguém conhece o professor e rende o que nunca rendeu na minha. É difícil você ter uma fórmula perfeita para o atleta. Não existe isso – afirmou, acrescentando que seus atletas na Nova União não engoliram bem as críticas feitas na ocasião.

“Os garotos ficam danados por ela falar um monte de besteira e pensam: “Ah é? Então toma”. E quando você joga uma carga tão grande em cima de você, de que “eu sou a maior coisa do mundo” e joga para baixo os outros, quando os outros têm a chance de jogar a pedra de volta no telhado como você jogou no deles, vem uma saraivada. Mas as pessoas têm que procurar fazer o que é melhor para elas.”

Nesta primeira parte da entrevista, confira as declarações de Dedé Pederneiras sobre o rompimento com Cláudia Gadelha e o duelo da lutadora contra Jéssica Bate-Estaca.

Combate.com: Quando a Cláudia Gadelha venceu a Karolina Kowalkiewicz no UFC Rio, em junho, ela não chegou a fazer nenhuma crítica direta contra a Nova União, mas frisou diversas vezes na entrevista que tinha passado a fazer o treino certo. Acha que a vitória da Jéssica sobre ela é uma prova de que é possível evoluir seu jogo no alto nível treinando no Brasil?

Dedé Pederneiras: Essa pergunta você responde na própria pergunta. Quando você pergunta isso e vê a vitória da Jéssica da forma que foi, está respondido. A Jéssica tem condição de disputar título e ser campeã treinando aqui. O treinador dela (Gilliard Paraná) fez um grande trabalho não só com ela, como com várias outras da equipe dele. A equipe do Paraná, que tem aparecido muito na parte feminina, é muito boa. Com certeza é a melhor equipe feminina do Brasil. A Jéssica treinou aqui e não foi para lugar nenhum. Fez uns treinos no Pedro RIzzo, mas principalmente no Paraná.

Essas declarações da Gadelha te incomodaram?

Acho que, a partir do momento que a pessoa saiu da equipe, não faz mais diferença o que a pessoa fala. Se ela estivesse dentro da equipe e falasse isso, eu ia ficar muito danado. Acho que cada um tem uma opinião. Você pode gostar de chocolate, e eu não. Você pode gostar de um tipo de treinamento ou de outro. Às vezes, tenho um tipo de treinamento que é horrível, mas um monte de gente gosta e rende. Aí você vai para uma equipe que ninguém conhece o professor e rende o que nunca rendeu na minha. É difícil você ter uma fórmula perfeita para o atleta. Não existe isso. O cara vai render hoje uma coisa e amanhã rende outra. Você conhece treinador pela quantidade de atletas que ele fez. Porque um diamante pode cair no meu quintal hoje. Esse diamante vai ser campeão no meu terreno, no seu, no dele. Ele vai ser campeão porque tem potencial dele próprio, vai ser em qualquer lugar. Só que aí você depende que Deus te mande esse diamante para cair no seu terreno. Digo o seguinte: Deus não vai mandar vários. Se você falar para mim assim: “Esse meu atleta foi campeão”. Eu pergunto: “Beleza, quem mais você fez?” Se você não fez outro, a vantagem está muito mais nesse diamante que caiu no seu terreno do que no treinador. Vejo treinador bom quando ele faz um monte de atleta.

Como é a sua relação com a Gadelha hoje?

Ela vive a vida dela, quero que ela cresça e seja super feliz no que faz, mas não existe relação. Ela vive a vida dela, a gente a nossa. Só acho o seguinte: a pessoa, quando não tem nenhum tipo de problema, ela não fica comentando. Se saio daqui, procuro outro lugar porque eu quis, e estou bem lá, não preciso falar mal do que ficou pra trás. Já esqueci, estou bem. Ali é passado, estou vivendo meu presente aqui. Você nunca vai me ver falando mal de quem saiu daqui.

Qual foi a reação dos outros lutadores da Nova União sobre essa situação entre vocês?

Vou colocar uma situação que não é a situação, mas muita gente considera: sou um pai de um monte de filhos. Pela experiencia que tenho, falo: “Deixa isso pra lá, não arruma problema”. Só que os filhos, quando veem uma declaração que pode estar me afetando, é natural comprarem o barulho. É isso que acontece. Os garotos ficam danados por ela falar um monte de besteira e pensam: “Ah é? Então toma”. E quando você joga uma carga tão grande em cima de você, de que “eu sou a maior coisa do mundo” e joga para baixo os outros, quando os outros têm a chance de jogar a pedra de volta no telhado como você jogou no deles, vem uma saraivada. Mas as pessoas têm que procurar fazer o que é melhor para elas. No fim das contas, quando acabar isso, elas vão depender delas mesmas para sobreviver. Não vou poder fazer nada e não quero ter a obrigação de fazer alguma coisa. Não consigo sustentar a quantidade de atletas que tenho aqui para o resto da vida. Não quero esse peso, nunca quis. Se perguntar para os atletas se já ajudei alguma vez, na grande maioria vão falar que já. Então no caso da Claudinha, ela procurou o que foi melhor para ela. Não deu certo dessa vez (contra a Jessica), mas deu certo nas outras duas vezes. Mas acho que, quanto mais você cresce, mais humilde você tem que ser. Porque se você usa seu crescimento para humilhar os outros pelo seu crescimento, um dia vai ter o retorno

Acredita que tenha faltado humildade para ela?

É difícil falar de humildade, porque às vezes a pessoa fala um negócio, mas faz outras coisas bem humildes. Acho que não tinha necessidade de falar algumas coisas que foram faladas, até mesmo porque a Claudinha chegou aqui muito nova, sem muito conhecimento. Tinha 18 anos e ficou quase 10 anos aqui. O mínimo que a pessoa tem que fazer é pensar antes de falar. Mas já passou. Não espero gratidão de ninguém. Faço as coisas porque acho que tenho que fazer. Quem me paga é Deus. Meu maior pagamento vem de cima, não vem do bolso de ninguém. O que você pega aqui, gasta ali e acabou. Se alguém falar comigo de dinheiro, você pode falar sem saber o que é que é mentira. Se falar que saiu porque roubei dinheiro, dei uma volta, pode falar na cara da pessoa que é mentira porque quero ver quem prova. Pelo contrário. Muita gente sai daqui me devendo na maioria das vezes.

Fonte: Combate.com Por Adriano Albuquerque, Raphael Marinho e Zeca Azevedo

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