Dedé aponta renovação na Nova União, e aposta em Ketlen Vieira para voltar ao topo

Há mais de 20 anos em atividade, a equipe carioca Nova União passa por um momento de transição no UFC. Nada que tire a tranquilidade do treinador e chefão Dedé Pederneiras. Até pouco tempo atrás, o time sediado na Zona Sul do Rio de Janeiro tinha José Aldo campeão peso-pena e Renan Barão dono do cinturão dos galos. E ainda colocou no currículo disputas de títulos com Thales Leites no peso-médio, e Cláudia Gadelha no peso-palha. Agora, a próxima geração da Nova União é capitaneada por novo manuara. Na verdade, outra, a peso-galo Ketlen Vieira, tratada já como realidade.

– A Ketlen é uma menina com um potencial absurdo, e tem melhorado numa velocidade muito grande. É difícil você falar isso e a pessoa perder na próxima luta, mas se ela continuar melhorando do jeito que está tem chance de disputar o cinturão e ser a próxima campeã do UFC (…). Ganhando mais uma luta, ou duas, ou na próxima já (talvez ela lute pelo cinturão), vai depender do UFC. Se você me perguntar se o UFC me oferecesse agora (a luta pelo título), eu aceitava, desde que me desse tempo para treinar – revelou o treinador Dedé Pederneiras, em conversa exclusiva com o Combate.com.

Espaço construído para receber a equipe Nova União também é palco de eventos como o Shooto (Foto: Zeca Azevedo)

Espaço construído para receber a equipe Nova União também é palco de eventos como o Shooto (Foto: Zeca Azevedo)

Ketlen, de 26 anos, tem um cartel invicto com nove vitórias, três delas já no Ultimate, onde estreou no ano passado. Ao assinar com a organização, ela teve apenas um mês e meio para a luta com Kelly Faszholz, que venceu na decisão dividida em outubro de 2016.

– Ela é uma menina nova, que veio morar definitivamente há uns cinco meses no Rio, já está com apartamento alugado e tudo. Na primeira luta, ela veio e treinou aqui um mês e meio. Estrear no UFC, treinar um mês e meio e ganhar, para mim fez a melhor luta do mundo. Uma menina que veio de Manaus e tinha seis lutas, estreou no UFC, treinou aqui um mês e meio na correria e para perder muito peso, estava muito pesada, e ganhar – destacou Dedé.

A segunda luta da manauara foi em abril deste ano, contra Ashlee Evans-Smith, e Ketlen venceu novamente por pontos, desta vez por unanimidade. O tempo no Rio de Janeiro foi maior: quatro meses. Depois, em setembro, já morando na capital carioca, ela encarou a medalhista olímpica na luta livre Sara McMann, e não se impressionou com o currículo.

– Me surpreendeu foi a outra derrubar ela. Tanto que Ketlen a derrubou duas vezes. Ela tomou uma queda porque errou o uchimata que ela dá, já que é faixa-preta de judô, e caiu por baixo e ficou apanhando quietinha. Não conheço lutador quando ele bate, conheço lutador quando ele apanha. Para mim, lutador quando apanha e sai daquela situação, esse é lutador. Se a Ketlen treinar seis meses, ela disputa o cinturão e vai bem – foi categórico o treinador.

Dedé acredita que Léo Santos, mesmo aos 37 anos, pode chegar ao título do peso-leve do UFC  (Foto: Evelyn Rodrigues)Dedé acredita que Léo Santos, mesmo aos 37 anos, pode chegar ao título do peso-leve do UFC  (Foto: Evelyn Rodrigues)

Dedé acredita que Léo Santos, mesmo aos 37 anos, pode chegar ao título do peso-leve do UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)

Para analisar o momento atual da Nova União, Dedé Pederneiras recorreu a outras grandes equipes de MMA, e acredita que o time carioca não está atrás de nenhuma delas.

– Existe uma transição em qualquer equipe. Como você vê o momento da Greg Jackson hoje? Como vê o momento da AKA? Da Kings? Todo mundo tem um momento de transição, um sobe e desce, e a gente continua fazendo atletas. Todas essas equipes que citei não foi falando mal, para mim são as maiores do mundo. O Jon Jones, da Greg Jackson, acabou de ter um problema e botou tudo o que fez no lixo. Hoje não temos no time do Greg Jackson – que acho um dos melhores treinadores do mundo – um campeão. Está acontecendo exatamente o que aconteceu com a gente. Quando falei da Kings, do Rafael (Cordeiro), que é meu amigo e um dos melhores treinadores do mundo, nesse momento não têm um campeão lá. A AKA só tem porque o Cormier perdeu e depois voltou o cinturão (pelo doping do Jon Jones), mas você não tem uma renovação. A grande coisa de toda academia é não se preocupar só com quem está lá em cima, mas muito mais com a renovação.

A renovação na Nova União vem atrelada a um grande trunfo: um novo centro de treinamento com cerca de 1.800m², bem próximo do atual local de treinos, que divide espaço com a academia de Dedé.

– Como estamos indo para um espaço novo, com uma área que a gente nunca sonhou ter, acho que a renovação da equipe vai ser muito grande. Com isso, daqui a um tempo, dois ou três anos, vamos ter uma galera de nível para poder voltar às cabeças com outro Aldo, com outro grande lutador da equipe.

Mas Dedé não aposta apenas em Ketlen Vieira para que a Nova União volte a ostentar um cinturão no UFC num futuro próximo. Ele acredita que o experiente Léo Santos tem plenas condições de executar a tarefa no peso-leve. E ainda citou o nome de Jussier Formiga, do peso-mosca.

– Falo um negócio e dizem que estou maluco, porque o cara tem 37 anos. Se dessem as chances para o Léo, ele chegaria a ser campeão. Não vejo o Léo com diferença nenhuma para nenhum atleta desses que estão lá em cima. Mas aí você fala: “Porque isso?”. A (última) luta dele caiu, não teve outro. Ele já se machucou, mas voltou depois. Ele pegou caras muito duros da categoria, e só não pegou mais porque não deram. O Formiga mesmo, que está com o Jair (Lourenço, da Kimura/Nova União) nos EUA agora, é um cara que vai disputar o cinturão daqui a pouco. Se você pegar a quantidade de atletas que a gente tem no UFC, e a quantidade que os caras lá fora têm, proporcionalmente não estamos atrás de ninguém. O negócio é que o pessoal só conta a derrota, não conta a vitória. Se você for ver, nascidos daqui da academia – que começaram sem saber nada -, levamos quatro a lutar pelo cinturão. Que equipe tem isso no mundo? – concluiu Dedé Pederneiras.

Fonte: Combate.com Por Adriano Albuquerque, Raphael Marinho e Zeca Azevedo